Nada melhor que a reforma ortográfica para estrear este meu espaço.
É um bom ponto de partida pela sua relação restrita, uma vez que é um espaço dactilografado, e pelo facto de ser uma matéria que me arrelia intimamente. É por ser um tema que me contraria ao ponto de apenas conseguir ler, em todo o jornal Expresso (caderno principal) de 25.09.2010, a crónica do Miguel Sousa Tavares (“A lenda da vida eterna e boa”); Não compartilhava grandes afinidades com aquele colunista (apesar de lhe reconhecer virtudes) mas, pelo menos, partilho agora a sua ortografia.
Em suma, paguei €2,95 para ler algo que teria acesso, gratuitamente, em linha e para descobrir uma afinidade com um outro ser humano (que, para tal, bastaria percorrer o perfil dos meus amigos no facebook)!
Não me proponho agredir ou advogar esta resolução da nossa Assembleia da República, ou apenas acordo ortográfico se optarem por mais fácil, unicamente pretendo justificar esta minha atitude ["à Miguel”].
Esta nova forma de rabiscar não me consegue falar à alma, nada me diz e de todo me convence. É surda, cega e muda ao ponto de conseguir transformar a minha realidade numa que me é de todo desconhecida [ao (tentar) ler o expresso parecia eu que estava com o Folha de São Paulo nas mãos a descobrir a realidade de um outro mundo].
Se a escrita também define a personalidade não estou disposto a voltar costas a esta minha característica de mais de três dezenas de anos e esquecer as reguadas que premiaram todos os meus erros ortográficos ou gramaticais no tempo de estudante [eis uma frase “à Saramago” – sem pontuação e, porventura, concordante com as novas regras ortográficas].
Como nesta resolução/imposição da assembleia da República não está prevista qualquer coima ou pena de prisão para quem a não respeite, apelo ao meu direito de a ignorar. E tu, que me lês desse lado?
Ligações:
Três olhares lusófonos [acordo ortográfico]: Brasil, Moçambique e Portugal
Acordo ortográfico da Língua Portuguesa
Cronologia das reformas ortográficas
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