quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Deus é! A religião poderá ser ou não…

Numa das minhas muitas (e agradáveis) viagens de comboio na linha de Sintra, atrevi-me (mais uma vez e apesar de me arrepender sempre de o fazer) a escutar a palestra de dois desconhecidos onde se pronunciava e misturava, à boca cheia, Deus e religião.
Perante a impossibilidade de intervenção na cavaqueira, até porque “não se fala com estranhos” ou pelo facto dos intervenientes apenas estarem dispostos a ouvirem-se a si mesmos, resolvi escrever a minha palestra onde EU, tal como os interlocutores originais do tema, redigirei, Eu entenderei e Eu comentarei a minha própria opinião.
Para começar acho que os meus amigos de viagem deviam começar por entender que Deus é Deus, é Único, seja qual a crença do ser humano que O reconhece, e que religiões há muitas… Não é una, não há uma hierarquia entre elas, não há a que seja predominante em relação a outra, não há a que detenha, particular ou totalmente, a verdade. Em suma, Deus é a laranjeira e as religiões as laranjas. Não existe um Deus por cada religião. Por tal, todos podemos abordar A laranjeira, escolher A laranja que nos mais agrada ou convém e tomá-la como nossa, dando-lhe, como consequência, o uso que entender: ingeri-la simplesmente, convertê-la em sumo, etc.
Devemos respeitar e zelar pela laranjeira, que nos permite as laranjas, escolher apenas uma destas e deixar todas as outras para os que nos procedem. E se mais alguém se destinar à nossa laranja, nada nos custa partilhá-la, pois ela é, a bom rigor, da laranjeira e não se gerar, assim, conflitos inúteis.
Deus é, salvo seja, de todos nós; Religiões? – Eu tenho a minha e respeito as dos outros. Religiões existem para todos os gostos e necessidades.
Feitas estas considerações já posso deixar de dissertar (comigo mesmo) sobre a diferença entre Deus e religiões.
Deus não escolheu uma religião. Ninguém, qualquer que seja a sua crença, se atreve a atribuir-Lhe uma. Aqui, e agora mudando o rumo da minha discussão, Deus existe e merece o nosso respeito, tal como nós existimos e desejamos o respeito dos outros; Deus não é culpado, tal como não gostamos de ser culpados pelas falhas alheias; Deus existe de certeza – amor, natureza, tu, só podem ser obra de um Ser perfeito; Deus existe nem que seja pela necessidade de compreender todas as nossas incapacidades; Deus é perfeito… Todas as imperfeições são nossas e surgem pela (desacertada) tradição de culparmos, desde mui pequenos, os outros pelas nossas falhas! Quando nos indagam a primeira reacção é o “não fui eu!”; “Foi por tua culpa!”…. Deus É tão eficaz, tão grande que Se manifesta sempre nos pormenores, no sorriso de uma criança, no arrepio de um beijo sentido, na lambidela de um cão….
As religiões existem… Não tenho opinião sobre elas… Apenas me esforço por as compreender e respeitar.
Precisamos de Deus porque é o amigo a quem recorremos quando não os encontramos entre os seres viventes que nos rodeiam, é quem invocamos nas maiores necessidades e aflições… É o único que ouve, vive e sofre com toda a doença do mundo e, corajosamente, não se queixa, pune, vinga ou ralha. É o expoente máximo da compaixão! É O que nos ensinou a dar a outra face…. Mas, infelizmente para a Humanidade, este seu ensinamento levou ao, mais uma vez errado, costume de que temos duas “caras” em vez das duas “faces”…
A religião existe pela nossa necessidade de pertencer e de ser aceite por uma agremiação em que haja uma conjuntura de interesses comuns. Vamos devassar essa necessidade? Eu cá não me atrevo….
Deus representa todas as nossas ambições, não é O culpado da estupidez de cada um;
A religião caracteriza as pretensões de cada um, não a da Humanidade ou de Deus.
Toma os bons preceitos de Deus (põe de parte a religião nesta minha alusão pois esta não deixa de ser uma concepção muito própria do ser humano), engrandece-te e serás um ser melhor, mais feliz e, como consequência serás um(a) marido/mulher, pai/mãe, amigo(a) superior e, por consequência a tua vida será uma mais valia para a Humanidade nesta sua espinhosa vereda. Acredita em algo e terás um intuito na vida.
Vive apenas para a religião e serás apenas um filiado de um ideal. Um ideal que te poderá tornar um fundamentalista pois a religião, tal como o ser humano, redime-se nas outras religiões.
Se adoptares uma religião, recebe, também, o lema dos chamados anarcas “a tua liberdade termina onde começa a dos outros”.
Nas religiões, entristece-me a guerra desenvolvida em torno da diferença. Em Deus, alegro-me com a concordância e ignoro as distâncias.
Se Deus não agenciou para a conclusão destas máculas até aos dias de hoje, eu não estarei apto certamente para esta empreitada… Mas a ideia está presente e espero que, tal como todos os idealistas deste mundo esperam, que um dia este meu pensamento, largue a sua condição de simples reflexão: Que se olhe a Deus e se respeite as diferentes religiões.
Li, algures, que a religião tolhe o pensamento. Depende de como é aceite e vivida… Pelo mesmo raciocínio, os pais embargam os filhos: a falta de confiança induzida pela protecção paternal ou a fraca capacidade de valorizar as coisas mais simples da vida perante o actual facilitismo e abastança concedidos pelos mesmos, resultam na destruição da personalidade daqueles nossos filhos. E será por isso que vamos promover a morte de todos os pais? Penso que não… A religião, como “Comunidade religiosa que segue a regra do seu fundador ou reformador”, será culpada, nas suas falhas, na pessoa do seu fundador ou dos seus seguidores, nunca em Deus.
Crê, mesmo que as base para acreditar não se revelem, aplica e não questiones, assim como não te demandas das falas dos animais conhecidos de Hans Christian Andersen, La Fontaine ou os de Miguel Torga (entre muitos outros), o que de bom há no mundo.
Deus é omnipotente, omnisciente e omnipresente e, como creio piamente, fazendo deste lema uma das minhas religiões, as boas acções, intenções, energias que pratique, sem olhar a quem, só me acarrearão coisas muito melhores: Crê em ti, apoia-te no nosso Deus, opta por uma religião se quiseres mas NUNCA deixes de acreditar em ti.
Após esta acção evangelizadora só me resta deixar aqui um abraço ao amigo Fernando Couto e fazer alusão às nossas tertúlias onde a abordagem das várias questões é efectuada através do contacto com o lado humano “da cena”. Presto, assim espero, o meu apoio incondicional ao (também) amigo Henos Reis.  (ler nas entrelinhas……)

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